Violência contra mulher indígena: governo de MS leva ações para maior aldeia do Estado

junho 30, 201711:49 am
Luciana Azambuja já recebeu pedidos e projeto vai expandir para outras aldeias.

O enfrentamento à violência contra as mulheres indígenas no Mato Grosso do Sul ganha um reforço importante. Isso porque, o Governo do Estado, está desenvolvendo um projeto piloto com uma série de atendimentos que serão realizados nas aldeias. A ação é inédita e está marcada para começar neste mês de julho.

De acordo com a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Luciana Azambuja, o projeto teve início a partir de um pedido da própria comunidade. “Em março, quando estávamos realizando os seminários regionais em alusão ao Dia Internacional da Mulher, na etapa de Dourados, uma indígena nos chamou e perguntou se poderíamos ir à aldeia escutar o que elas tinham a dizer. No mês seguinte fomos até a Jaguapiru e as mulheres indígenas nos pediram auxílio devido ao alto índice de violência e elas não tem conhecimento do que a lei pode fazer por elas. A ideia inicial era levarmos palestras, mas não parou por ai”, conta.

O pedido foi feito pela presidente do Conselho Feminino da Aldeia Jaguapiru, Nilza Meireles. “Não chega muita informação para nós nas aldeias. Então, acredito que há muita necessidade. A violência e o preconceito contra as mulheres indígenas é muito grande. Trabalho há oito anos na aldeia e sei como é difícil para as mulheres correrem atrás. A mulher indígena nunca teve voz, sofrem caladas, mas agora teremos a oportunidade de conhecer nossos direitos e de nos defender”, ressalta Nilza.

Com o pedido, Luciana entrou em contato com a Delegada da Mulher de Dourados, Paula Ribeiro dos Santos Oruê, e com a cabo da Polícia Militar responsável pelo projeto Mulher Segura, que cuida das medidas protetivas, para fazer parte do projeto. “Recebemos o convite para ir até a aldeia e conhecer a realidade das mulheres. Participamos de reuniões onde elas nos relataram a dificuldade de ir até a cidade, do entendimento da língua e que muitas deixam de fazer os boletins de ocorrência por conta disso. Então, avaliamos que seria possível ir até a aldeia e levar os serviços da delegacia uma vez por mês. Vamos disponibilizar atendimento, orientação, registrar boletim de ocorrência, pedidos de urgência, medidas protetivas, e tudo o que estiver ao nosso alcance”, declara a delegada.

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