VÍDEO: Homem negro é espancado e morto por seguranças em supermercado Carrefour

novembro 20, 202010:48 am
João Alberto Silveira Freitas tinha 40 anos; dois suspeitos foram presos em flagrante

Um homem negro foi espancado e morto por dois homens brancos em uma unidade do supermercado Carrefour no bairro Passo D’Areia, na zona norte de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite de quinta-feira, 19, véspera do Dia da Consciência Negra. Informações preliminares apontam que um dos agressores é segurança do local e o outro é um policial militar temporário que fazia compras no local. A vítima, João Alberto Silveira Freitas, tinha 40 anos.

A Polícia Civil do Estado investiga o crime. Os dois homens foram presos em flagrante. O segurança permanece no Palácio da Polícia de Porto Alegre, enquanto o policial foi encaminhado para um presídio da Brigada Militar (BM). Uma manifestação em frente ao supermercado está prevista para as 18 horas desta sexta-feira, 20.

Pelo twitter, o vice-governador do Rio Grande do Sul e secretário estadual da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, condenou a ação violenta dentro do supermercado e disse que irá apurar exaustivamente o caso. “Vamos apurar esse fato a sua exaustão, não podemos admitir ações dessa natureza”, afirmou ele.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram parte das agressões e o momento que o cliente é atendido por socorristas. Em uma das gravações, o homem é derrubado e atingido por ao menos 12 socos. Ao fundo, uma pessoa grita “vamos chamar a Brigada (Militar)“.

Uma mulher vestindo uma camisa branca e um crachá, que também seria funcionária do supermercado, aparece ao lado dos agressores, filmando a ação. Ela já foi identificada e será ouvida. Outro registro mostra a vítima desacordada, enquanto há marcas de sangue no chão.

De acordo com o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), teria havido um desentendimento entre a vítima e os seguranças. Testemunhas disseram que João Alberto fez “gestos agressivos” dentro do supermercado ao passar as compras no caixa. “Não foi nada muito grave”, diz o delegado.

Neste momento, os seguranças foram chamados e o conduziram para fora da loja. A esposa da vítima seguiu dentro do estabelecimento, finalizando a compra.

Segundo Bodoia, câmeras de segurança mostraram o homem desferindo um soco no segurança. Neste momento teriam começado as agressões. Uma ambulância do Samu foi ao local e tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu.

O delegado afirma ainda que nenhuma arma foi usada no crime. A perícia no local foi realizada no fim da noite de quinta-feira. A polícia vai analisar as imagens de câmeras de segurança e de testemunhas e vai colher depoimentos.

O caso foi encaminhado para a 2ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), sob a responsabilidade da delegada Roberta Bertoldo, que prosseguirá com a investigação dos fatos.

“A gente gritava ‘tão matando o cara’, mas continuaram até ele parar de respirar”, diz testemunha

Vizinho da vítima, Paulão Paquetá contou ter testemunhado as agressões. “Estava chegando no local na hora das agressões. Eu estava a uns 10 metros quando começou. Tentamos intervir, mas não conseguimos”, relata.

Paulão diz que a esposa da vítima também viu o espancamento, mas foi impedida de intervir. “Ela viu o marido sendo morto.”

Segundo ele, cerca de outros oito seguranças ficaram no entorno da área, impedindo a aproximação das pessoas que tentavam parar com as agressões. “Não pararam. A gente gritava ‘tão matando o cara’, mas continuaram até ele parar de respirar, fizeram a imobilização com o joelho no pescoço do Beto, tipo como foi com o americano (George Floyd, morto por policiais neste ano nos Estados Unidos).”

Presidente da Associação de Moradores e Amigos do Obirici, Paulão estima que as agressões duraram cerca de 7 minutos. Ele diz que motoboys que filmaram a violência tiveram os celulares tomados para não registrar toda a ação. “Quando viram que ele parou de respirar, se apavoraram. Chamaram a Brigada (Militar), que isolou ali e a Samu tentou reanimar.”

Segundo o líder comunitário, a vítima morava no IAPI, bairro nas proximidades do supermercado. “Não é primeira ocorrência do tipo. É a primeira de óbito. Todo mundo sabe que são agressores (seguranças do local) mesmo.”

“É muito difícil. Revolta pela maneira que ele foi morto brutalmente. Ser humano nenhum merece ser agredido daquela jeito, ter a vida ceifada de maneira tão brutal, tão animal.”

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