“Uma nova história começa agora”, declara Kim em encontro das Coreias

abril 27, 201810:57 am
“Estou feliz em conhecê-lo”, disse Moon Jae-in ao norte-coreano em meio a um aperto de mãos

O líder norte-coreano, Kim Jong Un, e o presidente do sul, Moon Jae-in, sentaram-se em uma mesa oval para iniciar o encontro entre os dois países nesta sexta-feira.

O encontro, no prédio da Casa da Paz, no lado sul da Zona Desmilitarizada que divide as duas Coreias, é a terceira cúpula desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953.

O líder norte-coreano Kim Jong Un saudou nesta sexta-feira 27 o início de uma nova era de paz, à frente de um encontro com o presidente do sul, Moon Jae-in.

“Uma nova história começa agora – no ponto inicial da história e na era da paz”, apontou a mensagem que Kim escreveu em um livro de visitas no local da cúpula da Casa da Paz, no lado sul da Zona Desmilitarizada que divide as Coreias.

Os líderes da Coreia do Norte e do Sul trocaram um caloroso aperto de mão sobre a linha de demarcação que divide os dois países antes de uma cúpula histórica.

“Estou feliz em conhecê-lo”, disse Moon Jae-in ao seu colega Kim Jong Un, no momento em que ele se tornou o primeiro líder do Norte a entrar no Sul desde a Guerra da Coreia.

Moon também entrou rapidamente no norte antes de caminhar de volta.

Após uma breve conversa, os dois líderes caminharam até a Casa da Paz de Panmunjom, onde foi assinado o armistício de 1953.

Kim é o primeiro líder norte-coreano a entrar no sul desde a Guerra da Coreia, há 65 anos.

Trata-se da terceira reunião intercoreana, após os encontros celebrados em Pyongyang em 2000 e 2007, e marca um ponto de inflexão após a aproximação diplomática que se seguiu a um período de alta tensão na península.

Segundo a agência oficial norte-coreana KCNA, Kim viajou à Zona Desmilitarizada para “discutir honestamente com Moon Jae-in todas as questões que surjam para melhorar as relações intercoreanas e se obter a paz, a prosperidade e a reunificação da península da Coreia”.

O tema do arsenal nuclear de Pyongyang está no centro da agenda, após a Coreia do Norte obter um rápido progresso em sua tecnologia atômica sob o mandato de Kim, que herdou o poder com a morte do pai, em 2011.

Os norte-coreanos também desenvolveram mísseis balísticos capazes de atingir o território americano, o que acrescentou tensão entre Washington e Pyongyang.

Mas os Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang, no Sul, marcaram o início de uma distensão palpável na península coreana.

No sábado, Kim anunciou uma moratória nos testes nucleares e nos lançamentos de mísseis balísticos de longo alcance, afirmando que já cumpriram com seus objetivos.

Paz e fim das armas nucleares 

Na quinta-feira, o chefe da presidência sul-coreana, Im Jong-seok, advertiu que o panorama que espera os dois líderes não é fácil.

“Alcançar um acordo de ‘desnuclearização’ em um momento em que os programas nucleares e de mísseis intercontinentais (ICBM) da Coreia do Norte estão avançados será fundamentalmente diferente da  natureza dos acordos alcançados na década de 1990 e princípio de 2000.

“Isto é o que faz esta cúpula mais difícil”, explicou o funcionário.

Pyongyang pede garantias – ainda não especificadas – em troca da eliminação de seu arsenal.

No passado, o apoio da Coreia do Norte a uma eliminação das armas nucleares da Península foi uma expressão para se referir à saída das tropas americanas estacionadas na Coreia do Sul e seu guarda-chuva nuclear.

“Agora os grandes temas são a paz e a ‘desnuclearização'”, explicou à AFP o professor John Delury, da Universidade de John Delury.

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