‘Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil’, diz Joesley Batista

junho 16, 201710:24 pm
Empresário falou com exclusividade à revista Época

Na manhã da quinta-feira (15), o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, recebeu equipe da revista ÉPOCA para conceder sua primeira entrevista exclusiva desde que fechou a mais pesada delação dos três anos de Lava Jato.

Em mais de quatro horas de conversa, precedidas de semanas de intensa negociação, Joesley explicou minuciosamente, sempre fazendo referência aos documentos entregues à Procuradoria-Geral da República, como se tornou o maior comprador de políticos do Brasil.

Discorreu sobre os motivos que o levaram a gravar o presidente Michel Temer e a se oferecer à PGR para flagrar crimes em andamento contra a Lava Jato.

“Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele  e fazer esquemas que renderiam propina. Toda vida tive total acesso a ele. Ele por vezes me ligava para conversar, me chamava, eu ia lá”.

Joesley disse ainda que Temer já pediu dinheiro para pagar o aluguel de um escritório seu na praça Panamericana, em São Paulo.

“Eu desconversei, fiz de conta que não entendi, não ouvi. Ele nunca mais me cobrou.”

Atacou o presidente, a quem acusa, com casos e detalhes inéditos, de liderar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”  e de usar a máquina do governo para retaliá-lo. Contou como o PT de Lula “institucionalizou” a corrupção no Brasil e de que modo o PSDB de Aécio Neves entrou em leilões para comprar partidos nas eleições de 2014.

O empresário garante estar arrependido dos crimes que cometeu e se defendeu das acusações de que lucrou com a própria delação.

O empresário finaliza dizendo que Michel Temer é “o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”.

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