Sérgio Moro tem ‘bancada’ suprapartidária na Câmara e no Senado

abril 28, 202011:29 am
Moro conta com apoio de 20 integrantes do grupo Muda Senado e de 12 deputados do Podemos, que almeja sua filiação

O ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública Sergio Moro conta no Congresso com o apoio de uma bancada suprapartidária. Só o grupo Muda Senado possui 20 integrantes, número superior aos 14 senadores do MDB, maior partido da Casa. O principal partido “morista” e pró-Lava Jato é o Podemos, legenda com dez dos 81 senadores e 12 dos 513 deputados.

Nomes do Podemos como os senadores Alvaro Dias e Oriovisto Guimarães – ambos do Paraná – e a deputada Renata Abreu (SP), presidente nacional da legenda, não escondem o desejo de uma filiação do ex-juiz da Operação Lava Jato.

Ao anunciar sua demissão do governo, na sexta-feira passada, Moro deixou aberto seu futuro. “Independentemente de onde eu esteja, sempre vou estar à disposição do País”, disse. O Podemos, rapidamente, marcou posição. “Estamos certos de que Sérgio Moro continuará esse bom combate, agora em outra esfera”, disse a cúpula do partido, em nota na qual o ex-ministro é descrito como “verdadeiro titã” e a saída dele do governo de Jair Bolsonaro é considerada a “derrota da ética”.

Os líderes da legenda disseram que aguardam “o tempo” do ex-magistrado, que, segundo eles, não tem motivos para se filiar “às pressas”. Se vier a disputar a Presidência em 2022, o ex-ministro poderá escolher um partido até março do ano da eleição. Para Renata Abreu, uma filiação precipitada poderia dar mais argumentos à base bolsonarista, que tenta desqualificar o ex-ministro. “Seria uma irresponsabilidade nossa fazer cooptação política numa hora de crise grave como essa.

Esse tempo é do Moro. Se um dia ele quiser conversar, estaremos à disposição. Qualquer conversa política agora será usada como justificativa para a discórdia entre ele e o presidente”, disse a presidente do Podemos.

“Temos mais convergência em função da identificação entre nós, temos a pauta dele como prioridade. É natural, sem assédio. Vamos dar um tempo para ele se definir. Ele vai ter uma ressaca de alguns dias e tem que se defender das pedras do presidente”, afirmou Álvaro Dias. “Se ele tiver essa disposição, o melhor lugar seria conosco mesmo”, disse o senador.

Um dos mais entusiasmados com a possibilidade de ter Moro como candidato, Oriovisto Guimarães adota um tom de espera. “O homem está com a cabeça quente. Não houve essa conversa, ainda. Não sei se ele vai ter estômago para entrar na política, mas espero que tenha”, declarou.

Sonho de consumo de siglas de centro-direita sem um candidato reconhecido nacionalmente, Moro não deve ser assediado apenas pelo Podemos. No ano passado, circulou nos bastidores um aceno do Republicanos, mas a legenda está em aproximação com o Planalto e aceitou abrigar os filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) e o vereador pelo Rio Carlos Bolsonaro. “Vamos ver os próximos capítulos”, disse o deputado Marcos Pereira (SP), presidente do partido. Até a bancada do PSD chegou se unir em defesa de pautas de Moro no Congresso. Delações da Lava Jato, porém, atingiram tanto dirigentes do Republicanos quanto do PSD, o que pode poderia enfraquecer o discurso do ex-juiz.

Tags:
COMPARTILHAR:

Comentários