Rússia e China denunciam escalada de tensão militar após EUA fazerem primeiro teste de míssil

agosto 20, 201910:30 am
Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostra o míssil testado na Califórnia

Rússia denunciou, na terça-feira, o “caminho da escalada das tensões militares”após o anúncio do teste de um míssil de médio alcance feito pelosEstados Unidos , o primeiro desde o fim da Guerra Fria . A China , por sua vez, acusou os americanos de buscarem “superioridade militar unilateral”. Testado na segunda-feira, na ilha de San Nicolas, na Califórnia, o armamento percorreu mais de 500 quilômetros e foi o primeiro lançamento anunciado pelos EUA desde o colapso de um dos mais importantes acordos de controle de armas assinado entre Washington e Moscou .

O teste americano já era esperado desde o início de agosto, quando os americanos abandonaram oficialmente o Tratado sobre Armas Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), firmado em 1988. O pacto bania mísseis nucleares e convencionais de médio alcance lançados de plataformas terrestres e capazes de atingir distâncias entre 500 km e 5.500 km. Neste período, mais de 2.600 desses mísseis foram destruídos desde então, a maioria dos quais estava estacionada em países europeus .

Lamentamos tudo isso. Os EUA tomam descaradamente o caminho da escalada das tensões militares, mas não cedemos à provocação  disse o vice-chanceler russo Sergey Riabkov , citado por agências de notícia russas, afirmando que a Rússia não pretende instalar novos mísseis a menos que os EUA o façam primeiro.

Segundo Riabkov, o “prazo extremamente pequeno” que Estados Unidos precisaram para realizar com sucesso o teste de um novo míssil INF, uma adaptação do Tomahawk com lançamento terrestre, mostra que Washington já estava preparada para o fim do acordo:

Em tão pouco tempo, é quase impossível realizar esses testes, a menos que tivessem sido preparados com antecedência. Essa é uma confirmação visível de que Washington já se preparava há muito tempo para se retirar do tratado  acrescentou.

O governo Trump vem tentando negociar com os chineses e os russos um novo acordo que limitasse seus estoques de mísseis, algo que a China rejeita, alegando que Rússia e EUA têm arsenais muito maiores e mais mortais.

Segundo analistas, um dos próximos passos do governo Trump deverá ser a instalação de mísseis convencionais nas ilhas do Pacífico e territórios de países aliados para contra-atacar a potência de Pequim no Mar do Sul da China  área onde os chineses, donos de um dos arsenais mais avançados do mundo, disputam territórios e influência.

Em resposta ao teste americano de segunda-feira, o governo chinês criticou uma “escalada de confrontos militares que terá graves consequências negativas para a segurança regional e internacional” e acusou Washington de buscar “a superioridade militar unilateral”:

Nós alertamos os Estados Unidos para para abandonar noções ultrapassadas dos pensamentos da Guerra Fria e jogos de soma zero e que exerçam cautela no desenvolvimento de armas  disse Geng Shuang, porta-voz da Chancelaria chinesa.

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