Militares e Maia agem para segurar Bebianno no governo

fevereiro 15, 201912:11 pm
Bebianno ajudou na eleição de Maia para o comando da Casa, contrariando o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), que preferia um nome do PSL.

Preocupados com as crises geradas pelos filhos do presidente Jair Bolsonaro que interferem no dia a dia do governo, ministros se uniram nesta quinta-feira, 14, em defesa da permanência de Gustavo Bebianno à frente da Secretaria-Geral da Presidência. O núcleo militar resistia a conversar com o presidente sobre o tema família, mas, após a última polêmica protagonizada pelo vereador Carlos Bolsonaro, o ministro Santos Cruz, da Secretaria de Governo, foi indicado para a tarefa. A intenção é que o ministro, general da reserva e um dos mais próximos do núcleo familiar do presidente, o alerte sobre os riscos para a governabilidade.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também entrou no circuito dando declarações públicas em defesa do ministro. “A impressão que dá é que o presidente está usando o filho para pedir para o Bebianno sair. E ele é presidente da República, não é? Não é mais um deputado, ele não é presidente da associação dos militares”, disse Maia.

Bebianno ajudou na eleição de Maia para o comando da Casa, contrariando o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), que preferia um nome do PSL. “Ele é um ótimo interlocutor, mas quem escolhe ministro é o presidente”, afirmou o presidente da Câmara. A preocupação é de que o ambiente conturbado do Executivo contamine o Legislativo e atrapalhe a tramitação da proposta de reforma da Previdência, que deverá ser enviada na próxima semana ao Congresso (mais informações no caderno de Economia). Menos enfático, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que Bebianno não tinha “obrigação” de acompanhar “tantas candidaturas” no País.

A operação segurou Bebianno no cargo pelo menos até o fim da noite de quinta. Apesar disso, o presidente mantém o ministro na geladeira e não o recebeu, como estava previsto. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, chegou a preparar um encontro entre os dois, o que não ocorreu. Em entrevista à revista Crusoé, Bebianno reclamou que está “sendo jogado aos leões de maneira injusta” e avaliou que Bolsonaro tem receio de que o caso envolvendo suspeitas de candidaturas laranjas do PSL possa “respingar” nele.

Bombeiro

A relação entre Onyx e Bebianno é conflituosa, mas ele estaria atuando como bombeiro porque também já ficou sob fogo cruzado quando vieram à tona suspeita de que usara caixa 2. O cinturão de apoio uniu vários nomes do governo que temem ser o próximo alvo dos tuítes de Carlos ou de seus irmãos, Flávio e Eduardo, todos respaldados pelo pai.

Foi pela rede social que veio o ataque mais duro a Bebianno. Carlos o chamou de mentiroso e divulgou pelo microblog mensagem de áudio enviada por Bolsonaro ao ministro como prova. Ele ficou contrariado por seu desafeto ter afirmado ao jornal O Globo que falara três vezes com Bolsonaro, enquanto o presidente ainda estava internado.

A quebra do sigilo da mensagem do presidente foi considerada “inadmissível” no Planalto porque está ligada à violação da segurança das comunicações do presidente da República. Os interlocutores do presidente vão tentar mostrar a ele que existe uma liturgia do cargo e que ela precisa ser respeitada.

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