Julian Assange, cofundador do Wikileaks, é preso em Londres

abril 11, 20199:52 am
Presidente equatoriano afirma ter recebido do Reino Unido a promessa de que Assange não será extraditado “para um país onde possa sofrer torturas ou a pena de morte”

A Polícia Metropolitana de Londres deteve nesta quinta-feira Julian Assange, cofundador do Wikileaks, depois que o Equador cassou o asilo diplomático que lhe oferecia há quase sete anos, segundo um tuíte da própria corporação policial britânica.

O presidente do Equador, Lenín Moreno, também confirmou na rede social que cancelou o asilo diplomático a Assange, que vivia desde junho de 2012 dentro da Embaixada equatoriana em Londres. Na mensagem, o mandatário também anexou um vídeo em que afirma ter solicitado ao Reino Unido “a garantia de que o senhor Assange não seria entregue em extradição a um país onde possa sofrer torturas ou a pena de morte”.

“O Governo britânico confirmou isso por escrito, em cumprimento às suas próprias normas”, acrescentou Moreno.

 “É absolutamente apropriado que Assange enfrente adequadamente a Justiça no Reino Unido. São os tribunais que devem decidir o que ocorrerá a seguir”, afirmou Alan Duncan, ministro britânico para a Europa e Américas, em nota oficial. “Agradecemos ao Governo do Equador e ao presidente Moreno pela medida adotada. Os fatos de hoje são o resultado de um extenso diálogo entre os dois países. Confio em uma relação bilateral forte entre o Reino Unido e o Equador nos próximos anos.”

Em um tom mais informal e mais contundente, o ministro de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, utilizou sua conta no Twitter para arremeter contra o fundador do Wikileaks: “Julian Assange não é um herói e não está acima da lei. Ocultou-se da verdade durante anos. Obrigado ao Equador e ao presidente Lenín Moreno por sua cooperação com o Ministério de Relações Exteriores para assegurar que Assange enfrente a Justiça”.

Em 2012, Julian Assange era alvo de uma ordem europeia de prisão expedida pela Suécia, onde havia sido acusado de dois crimes sexuais, depois arquivados. Refugiou-se na Embaixada do Equador em Londres em junho daquele ano e, depois de dois meses, o então presidente equatoriano, Rafael Correa, lhe concedeu asilo. Mais adiante, deu-lhe também a nacionalidade equatoriana.

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