‘Indicação de Moro para STF é movimento para 2022’, diz Cesar Maia

maio 20, 201910:56 am
A vaga no STF será aberta em um ano e meio com a aposentadoria do decano da Corte, Celso de Mello

ex-prefeito do Rio e vereador Cesar Maia (DEM) viu no anúncio do presidente Jair Bolsonaro de que poderia nomear o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para o Supremo Tribunal Federal (STF) como um primeiro movimento da sucessão presidencial de 2022.

A vaga será aberta em um ano e meio com a aposentadoria do decano da Corte, Celso de Mello. “Ele (Bolsonaro) precisa tirar da frente aqueles que são adversários muito fortes, que é o caso do Moro”, diz o ex-prefeito e pai do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A seguir, os principais trechos da entrevista.

São só cinco meses, mas foram meses muito agitados. Esperava-se esse desgaste tão grande, essa perda de popularidade tão forte?

Temos de analisar o comportamento dos personagens. O presidente (Jair Bolsonaro), por exemplo. Por que ele lança o ministro Sérgio Moro como nomeado ao STF? Por uma razão muito simples, porque Moro é adversário do Bolsonaro como presidente da República. A maneira que ele encontrou de eliminar esse adversário foi nomeá-lo para o STF.

Ele já tira uma carta do baralho?

A principal, a única carta. Ele elimina o principal adversário, não tem dúvida nenhuma. Pode fazer a pesquisa que você quiser entre Moro e Bolsonaro, você vai ver o que vai dar. Mostra que o próprio presidente está preocupado com o desdobramento de tudo isso. Ele precisa tirar da frente aqueles que são adversários muito fortes, que é o caso do Moro.

O sr. vê o ministro como potencial adversário do Bolsonaro em 2022? Quem o sr. enxerga nesse universo?

No campo de pensamento do Bolsonaro, só tem o Moro. Fora do campo dele, hoje, vai ter que se construir essa liderança.

De acordo com várias pesquisas, no fim das eleições Bolsonaro tinha uma aprovação de 49%. Mas de lá para cá, essa aprovação vem caindo e, em março, se estabiliza em 32%, 35%. Como avalia essa trajetória?

Primeiro, como se explica a performance final do Bolsonaro nas eleições? O que muitos acreditam, e eu acompanho, é que a facada gerou um efeito vitimização. Saiu de vinte e poucos por cento e subiu para quarenta por cento. Mas aí esse efeito passa, a eleição termina, vêm as entrevistas, a posse. Passado todo esse processo, as pessoas digerem aquilo, sedimenta-se, aquilo que se imagina vitimização não é mais. É o presidente da República, cercado de polícia, militares, Polícia Federal. Com isso, vem uma acomodação, que deveria ser o patamar dele, que é de trinta e poucos por cento. Temos de aguardar, dar tempo. A expectativa hoje é a de que a economia no primeiro trimestre tenha um crescimento negativo, como dizem os economistas. Isso tudo passa para o governo, que tem os elementos de impacto, de publicidade, de rede social, o que você quiser… O governo Bolsonaro passa a ter só esses elementos. Priorizar as redes sociais não adianta mais, eles foram para a televisão.

A rede social se esgotou?

A tradução que está sendo dada às redes não corresponde à realidade. As redes empoderam o indivíduo; o indivíduo, uma vez com o poder que tem, convencido de alguma coisa, vai propagando isso. Mas não é um sistema partidário. É por isso que Bolsonaro tem dado muitas entrevistas na televisão. Naturalmente, ele acha que precisa da televisão para recuperar o prestígio. As redes sociais cumpriram um papel e continuarão cumprindo, é um papel importante, mas menor do que se imaginava, que resolvia tudo. Eles estão sentindo que não é assim. Então, precisam da televisão para gerar um efeito multiplicador maior. Estranho é que ele use pouco o rádio.

Como vê a ação do presidente?

Não sei se o presidente é inábil. Ele sempre foi isso que é, tem uma liderança dos militares, dos policiais. Na hora que ele acha que pode extrapolar e não dá certo, ele tem de corrigir. Ele tem corrigido algumas coisas. Quando ele corre para o negócio do armamento, isso é uma derrota anunciada. Quando vai passar essa lei? Fico me perguntando porque ele faz um decreto daquela longitude (o decreto das armas) e publica. Só tem uma explicação: ele foi feito para ser derrubado. Na hora em que derruba, parcialmente que seja, você aumenta a agregação de seus próprios, da base, transfere para fora os problemas e não o absurdo que são aquelas medidas, que foram publicadas e não vão ser aprovadas. Essa é a tática: faz a proposta, diz que fez o que tinha prometido, soma seu pessoal, não é aprovado, a culpa é de quem? Da política velha.

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