Igreja evangélica em Três Lagoa se prepara para realizar casamentos LGBTS

janeiro 25, 201812:32 pm
Igreja fica no bairro Santa Rita, em Três Lagoas – Foto: Hugo Leal

O casamento gay no âmbito religioso passará a ser realizado em Três Lagoas, ainda no primeiro semestre de 2018. A afirmação é de uma nova denominação evangélica voltada ao público Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e Simpatizantes (LGBTS) do município, a Igreja Batista Apostólica das Nações (Iban), que promete ministrar a cerimônia homoafetiva em sua sede, no bairro Santa Rita. A novidade causa polêmica no meio evangélico e não é reconhecida pelo Conselho de Pastores do município.

Instalada em Três Lagoas desde outubro de 2017 a Iban é coordenada por sua fundadora, a pastora Daiane Lopes. De acordo com ela, o objetivo da instituição, que tem sede em São Paulo, é melhorar a estima da população LGBTS, do município. “O foco da igreja é buscar as pessoas que se sentem excluídas, abandonadas, mas, principalmente, dar ao público LGBT, a oportunidade de buscar e adorar ao senhor, do jeito que eles são. Ensinamos que Deus nos ama, do jeito que nós somos. Eles poderão vir a igreja e serão bem recebidos, podem adorar a Deus do jeito que eles são, pois seu louvor vai chegar ao céu”, disse a religiosa.

Daiane explicou que o casamento homoafetivo, que já tem parceiros a espera de agendamento, faz parte do objetivo da igreja. “Incentivamos o amor das pessoas do mesmo sexo. E não a prostituição, como muitos atribuem maldosa e erroneamente, mas sim a fidelidade, a paz e a compreensão entre as pessoas do mesmo sexo”, disse.

Daiane informou que a igreja está apta para as celebrações. “Os registros já estão legalizados aqui e vamos começar a fazer casamento sim, a partir deste ano. Religioso, será uma novidade em Três Lagoas, pois no civil já acontece. Muitas pessoas sonham com isso. Vivem casadas no civil e têm este sonho que agora podem tornar realidade. Algumas pessoas já me procuraram, falando que querem casar, mas ainda não tem nada agendado, pois estamos terminando de legalizar a parte burocrática”.

Questionada sobre pessoas que estão em dúvida sobre a própria sexualidade, a pastora respondeu que a intenção é libertar das dúvidas. “Eu estarei sempre orientado do jeito que a pessoa me buscar, me perguntar. Aquela que ainda não se decidiu, que possa se entender e a partir deste momento, se aceitar. Existem muitos homossexuais que não se aceitam, por isso se martirizam muito, alegando que as outras pessoas é que não os aceitam. Precisam se aceitar primeiro para depois a família os aceitar.

Foto: Taty Gonini

Finalizando, Daiane Lopes, que também é professora de educação física e ex-cantora sertaneja, conta que jásofreu preconceito. “Sempre quis ser mais para Deus e não me sentia incluída dentro da Igreja. Não que excluem o homossexual, mas também não oportunizam e o fiél só fica ali, no banco. Para eles, isso não é certo, é pecado e com isso esfriam as pessoas, que não se sentem bem, aconchegada. Senti no coração, o espirito santo me tocando. O gay em Três Lagoas, não é respeitado ou amado e queremos mudar isso”.

Em Três Lagoas, temos aproximadamente 600 denominações evangélicas. O Conselho de Pastores, que detém cerca de 150 denominações evangélicxas associadas, informou que não reconhece a nova religião LGBTS de Três Lagoas. Segundo o tesoureiro da entidade, o pastor Alessandro Costa, o Conselho atende as igrejas evangélicas e seus pastores. “Temos uma regra em todas as igrejas que o próprio nome já diz: Evangélico é aquele que vrê no Evangélico. Então, temos na Biblia Sagrada, como nossa única regra de fé e prática. O que foge da disso, não se enquadra no Conselho e nas igrejas evangélicas. Podemos ter várias religiões, interpretações e formas de crença. Nós respeitamos todas elas, mas para se enquadrar, tem que ter a Bíblia sagrada na fé e prática”, disse.

Para o pastor, que fala em nome do Conselho, a celebração religiosa ou civíl homoafetiva não existe. “Aceitamos a todos e ajudamos a todos, sem discriminação, para a mudança. Mas, se a Bíblia nos ensina que o casamento homoafetivo não é legal, praticado ou aconselhado. As escrituras censuram este casamento, então não praticamos e é a maneira que nós cremos. Vão surgir e estão surgindo diversas religiões e cada vez, surgem mais. Mas, dizer que esta religião é evangélica, É um exagero. Para ser evangélico, precisa cumprir p evangelho. Nós nunca poderemos incluir uma igreja desta espécie no Conselho de Pastores, pois em nossa visão bíblica, isso não é evangelho”, finalizou.

 

*André Barbosa

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