Facebook ignorou manipulação eleitoral, inclusive no Brasil, diz ex-funcionária

setembro 15, 20201:14 pm
No Brasil, desde a eleição de outubro de 2018, pairam suspeitas sobre o uso ilegal e massivo de redes sociais com o objetivo de impulsionar candidaturas

Uma ex-funcionária do Facebook acusa a empresa de ignorar ou ser lenta ao tratar de evidências de manipulação global ocorridas dentro das suas redes sociais. Essas medidas prejudicaram ou interferiram em eleições e assuntos globais em todo o mundo  incluindo as eleições de 2018 no Brasil. As informações são do portal norte-americano BuzzFeed News.

A matéria, assinada por três repórteres, se baseia em um memorando de Sophie Zang, cientista de dados no Facebook demitida recentemente da empresa. Zang afirma que encontrou tentativas “múltiplas e flagrantes” de governos para abusar das funcionalidades das plataformas da empresa em larga escala, e que ela própria foi obrigada a tomar decisões que afetaram a ação de presidentes e inúmeros políticos proeminentes. “Eu tenho sangue nas mãos”, disse ela, de acordo com o site.

Sophie afirma que, durante as eleições de 2018 nos Estados Unidos e no Brasil, foi necessário apagar mais de 10,5 milhões de interações feitas por perfis falsos em páginas de políticos  o relato não é preciso sobre que ações foram tomadas em cada país.

No caso do Brasil, o relato fala em candidatos “de alto escalão e de todos os espectros políticos”, enquanto nos EUA, que passavam por eleições parlamentares e estaduais, a manipulação ocorria por interferência de “políticos de baixo escalão”.  A cientista de dados também apontou uma rede de perfis falsos espalhando desinformação sobre a covid-19 dentro do Facebook.

Outros exemplos apresentados por Sophie Zang na matéria indicam casos concretos, mas que remetem a padrões já rotineiros em todo mundo: em Honduras, a empresa teria levado nove meses para agir em uma rede de milhares de contas falsas ligadas ao presidente do país, Juan Orlando Hernández; o Facebook teria levado ainda mais tempo  um ano  para agir no Azerbaijão, onde contas inautênticas ligadas ao partido dominante teriam como missão assediar membros da oposição no ambiente virtual; 672 mil contas falsas teriam sido desativadas por espalhar desinformação sobre o coronavírus,

Há ainda relatos concretos de manipulação na Índia, no Equador e na Bolívia, além de menções ao Iraque, à Itália, à Indonésia e a El Salvador, além de uma denúncia sobre manipulações promovidas pela Rússia, vinda de agentes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

No Brasil, desde a eleição de outubro de 2018, pairam suspeitas sobre o uso ilegal e massivo de redes sociais com o objetivo de impulsionar candidaturas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa o disparo de mensagens por Whatsapp também uma empresa do Facebook  por apoiadores da campanha de Jair Bolsonaro, o que poderia configurar crime eleitoral.

Há também a suspeita do uso coordenado de robôs no Facebook e no Twitter para impulsionar temas e debates, prática adotada até hoje por todos os lados do espectro político.

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