DOURADOS: Durante o próprio velório, indígena liga para irmã e diz que está viva

janeiro 29, 20194:54 pm
Testemunha comenta ainda que investigação é mantida sob sigilo em MS e que o adolescente, de 16 anos, apontado como suspeito, está muito abalado.

O que parece roteiro de filme, na verdade, é um inquérito de morte a esclarecer em andamento, na cidade de Dourados, região sul do estado. Ao saber que estava ocorrendo o seu próprio velório, na reserva indígena, uma mulher entrou em contato com a irmã, dizendo que está viva e trabalhando em outra cidade. Ela ainda não teve a identidade revelada, de acordo com a polícia.

A irmã, que chegou a fazer o reconhecimento do corpo no Instituto de Medicina Legal (IML), recebeu a ligação telefônica em meio ao clima de tristeza, em plena despedida. Ela então, noticiou aos demais familiares, o velório foi cancelado e o corpo retornou ao IML para exame papiloscópico, sendo a verdadeira pessoa morta identificada.

Conforme a investigação, esta pessoa foi achada desacordada na rua Coronel Ponciano, no dia 19 de janeiro. “O Samu [Serviço de Atendimento Médico de Urgência] socorreu esta pessoa, às margens da rua. Ela foi levada para o Hospital da Vida e ficou lá cerca de uma semana, vindo à óbito. A Polícia Civil então foi comunicada e compareceram familiares, incluindo a irmã que apontou a pessoa morta como sendo da família”, afirmou o delegado Adilson Stiguivitis.

Após apresentar documentações, a mulher foi identificada como sendo a irmã da indígena Rosicleia da Silva Liandres, e o nome dela foi incluso no cadastro de óbito. No velório, nessa segunda-feira (28), é que houve a ligação.

O surpreendente é que, enquanto a mulher era velada na segunda-feira, a Rosicleia telefonou para a irmã informando que estaria em uma fazenda e que por problemas no local, havia tido que atrasar o retorno para casa.

A irmã ainda revelou que a indígena estaria sendo velada, mas Rosicléia deixou claro que estaria viva e que teria ocorrido um engano na identificação do corpo.

Encerrado o velório, o corpo da mulher retornou ao Imol e após exames periciais acabou então identificada como Cristina de Oliveira, 48, também moradora na reserva.

“O que ocorreu é que durante o tempo em que a paciente esteve internada, não recebeu visitas no hospital, e a irmã que saiu para trabalhar em uma fazenda em Rio Brilhante, não deu mais notícias há cerca de 30 dias, então, a família pensou que fosse ela. Realmente a mulher ainda está trabalhando lá, e posteriormente vai vir aqui na delegacia”, explicou Stiguivitis.

“No caso do corpo, precisamos saber se houve um homicídio culposo na direção de veículo ou algo relacionado a algum atropelamento. As diligências estão em andamento”, finalizou o delegado.

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