Dólar bate recorde de R$ 3,90, e bolsa de valores despenca e volta aos índices de janeiro

março 22, 20198:11 pm

A Bolsa brasileira, o dólar, o risco-país e os juros: quatro dos principais termômetros do mercado financeiro mudaram de direção bruscamente nesta semana. Voltam para os mesmos patamares do começo do governo de Jair Bolsonaro (PSL), reflexo da dúvida de investidores com a aprovação da reforma da Previdência diante da total desarticulação no Congresso.

O dólar disparou mais de 2% apenas nesta sexta-feira (22) e rompeu os R$ 3,90 pela primeira vez neste governo. No ano, a moeda sobe 0,67%. O novo nível é distante da mínima de R$ 3,65 registrada no final de janeiro.

Não foi por falta de alerta dos especialistas. Eles dizem desde o período eleitoral que a primeira dúvida sobre o comprometimento do governo de Jair Bolsonaro com a reforma da Previdência poderia colocar fim à euforia trazida pela nova gestão.

“A piora dos preços dos ativos reflete o aumento das dúvidas, entre investidores, sobre o encaminhamento da reforma da Previdência no Congresso, em um ambiente externo que também se torna mais complexo. Sem reforma da Previdência, fica difícil cumprir o teto de despesas e, com isso, controlar o crescimento da dívida pública”, disse em nota Mário Mesquita, economista chefe do Itaú Unibanco.

Em 93 mil pontos, o nível de fechamento nesta sexta, a Bolsa brasileira volta ao patamar da primeira semana após a posse de Bolsonaro. Na época, o índice Ibovespa, o mais importante do país, batia recordes dia após dia.

Depois de ter encostado os 100 mil pontos no começo desta semana, o novo patamar de fechamento é o retrato da decepção de investidores.

O Ibovespa encerrou esta sexta a 93.735 pontos, queda de 3,09%. O giro financeiro superou R$ 20 bilhões, acima da média de R$ 16 bilhões do ano e sinal claro de uma liquidação de ativos por parte de investidores. No ano, a alta acumulada é de 6,7%.

“A gente foi do céu ao inferno em uma semana”, resume Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais.

As perdas foram disseminadas por todos os papéis que compõem o índice. Petrobras e Banco do Brasil, estatais que se beneficiavam com a troca de governo, perderam apenas nesta sexta mais de 5%.

O risco-país medido pelo CDS (Credit Default Swap) subiu quase 9%, a 177,9 pontos. Os juros futuros também avançaram. São medidas que apontam para a desconfiança de investidores com o equilíbrio das contas do governo, mas também a piora no cenário externo.

A reforma da Previdência é considera essencial por investidores para que a dívida pública pare de crescer. Se ela aumenta, investidores exigem remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo.

Se há um ponto que pode sintetizar a virada do mercado é a impaciência de Rodrigo Maia (DEM-RJ) com o clã Bolsonaro. Segundo a coluna Mônica Bergamo, o presidente da Câmara conversou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e avisou que a partir de agora fará “nova política”, que definiu como não fazer nada e esperar por aplausos das redes sociais. Maia nega que tenha usado tal tom, ainda de acordo com a coluna.

O presidente da Câmara é visto como a principal força capaz de articular partidos de todos os espectros políticos em torno da reforma da Previdência, mas avisou que não fará sozinho e menos sob ataques dos filhos de Bolsonaro.

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