Delegado da PF que investiga incêndios no Pantanal de MS diz que fogo ‘não pode ser acidente’

setembro 15, 202010:33 am
Já que não pode desmatar, porque é área protegida, coloca fogo e o pasto aumenta, sem levantar suspeita – Foto: André Zumak

O delegado da Polícia Federal (PF) Alan Givigi, que conduz investigações sobre as queimadas no Mato Grosso do Sul, afirmou, nesta segunda-feira (14), que o fogo que está consumindo o Pantanal, o maior bioma do mundo, “não pode ser acidente”.

“As queimadas começaram em fazendas da região, em espaços inóspitos, dentro das fazendas, onde não há nada perto, o que nos faz entender que não pode ser acidente. Teoricamente, alguém foi lá para isso (colocar fogo)”, disse o delegado ao jornal Estadão.

Na segunda (14), documentos e celulares de fazendeiros do Mato Grosso do Sul foram apreendidos pela PF como parte da Operação Matáá, que tem o objetivo de investigar as queimadas no Pantanal. Os investigadores veem indícios de queimadas deliberadas para criação de área de pasto onde antes era mata nativa.

“O fogo nesse caso seria para queima da mata nativa para fazer pasto. Já que não pode desmatar, porque é área protegida, coloca fogo e o pasto aumenta, sem levantar suspeita”, afirmou o delegado Givigi.

Durante as diligências, na casa de área urbana de um dos proprietários rurais, em Corumbá, foram encontradas e apreendidas armas e munições de uso restrito. O dono da fazenda foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Ele tinha duas pistolas, um revólver, 108 munições de calibre permitido e 44 de calibre restrito.

Até o começo da noite desta segunda foram oficialmente cumpridos quatro de 10 mandados de busca e apreensão. Os suspeitos poderão responder pelos crimes de dano à floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a Unidades de Conservação, incêndio e poluição.

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