CAARAPÓ: STF suspende reintegração de posse. Funai e Cimi temem massacre

abril 9, 201812:27 pm
Fotos:: Adalberto Domingos

Suspensa a reintegração de posse em duas áreas onde vivem guarani-kaiowás, há quase dois anos em Caarapó. A liminar foi assinada pela ministra Cármen Lucia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) após pedido da Fundação Nacional do Índio (Funai) que apela pela segurança das comunidades tradicionais indígenas e alerta para risco iminente de conflitos. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também manifesta extrema preocupação com os potenciais desdobramentos dos despejos na região do “Massacre de Caarapó”, ocorrido em 2016.

A Polícia Federal e outras forças de apoio, que já tinham se deslocado para o local, cancelaram a operação de cumprimento de mandado judicial que havia sido expedido pela Justiça de Dourados, a partir de decisão em processo de suspensão de liminar.

Duzentos policiais federais e militares participaram do início da operação, que contou com amplo deslocamento de tropas e comboio de viaturas de diversas forças de segurança federais e do Estado do MS, inclusive com o apoio logístico do Exército.

De acordo com informações da PF, o processo de negociação entre a PF e lideranças indígenas da região para desocupação voluntária do local se arrasta desde o deferimento da decisão de reintegração de posse pela Justiça Federal de Dourados, o que ocorreu em abril do ano passado.

Cerca de 60 indígenas ocupam os 119 hectares da Fazenda Santa Maria, que fica a aproximadamente 70 quilômetros do centro de Dourados, no limite com a reserva indígena Te’ýi Kue, onde vivem cerca de 3.700 indígenas.

Para cumprir o objetivo determinado pela Justiça Federal, além da PF, uniram esforços, a Polícia Militar do MS, a Polícia Rodoviária Federal, o Corpo de Bombeiros, a Justiça Federal e o Exército. Policiais federais dos estados do Mato Grosso, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná foram recrutados para esta missão, além da tropa de elite da PF – Comando de Operações Táticas (COT) – e operadores da Coordenação de Aviação Operacional (CAOP), que vieram de Brasília especialmente para este trabalho, cujo objetivo seria o cumprimento da ordem judicial da forma mais segura possível para todos os envolvidos.

Para isso, foi montada uma gigantesca estrutura com helicópteros que chegaram a decolar, caminhões, ônibus, mais de 50 viaturas das forças de segurança e do Exército, que chegaram até as porteiras da Fazenda Santa Maria, quando todo o contingente de policiais e militares foi comunicado pela Direção da PF da suspensão da decisão pela presidente do STF e o consequente cancelamento da operação. Todo o efetivo empregado na operação retornou para Dourados.

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